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sexta-feira, novembro 21, 2008

o estranho das relações

Eu queria água, ele queria chopp
Eu gosto do sol, ele da noite
Eu queria dormir, ele queria ficar acordado
Eu queria pizza, ele apenas um cachorro quente
Eu queria casar, ele queria ficar
Eu sou Vasco, ele flamengo
Ele as vezes torce pelo meu time, eu mais ou menos pro dele..

Mesmo com tantas diferenças a relação seguiu bem. Eu o entendia nas suas preferências e ele nas minhas. Apesar do bom entendimento, eu sentia que algo faltava. Algo não estava no seu lugar, se é que eu sabia que lugar era esse desse “algo”.

Um belo dia ele chegou em casa com um ar estranho. Chegou e foi direto tomar banho. Não me deu o beijo de costume e eu estranhei. Fui até o banheiro e estava trancado. Ele nunca trancava o banheiro, em nenhum momento. Seu banho foi demorado, tinha momentos que eu ouvia o chuveiro numa queda igual, ou seja, não tocava o corpo dele em movimento. Após um longo período desse barulho de queda d’água sem obstáculo ele saiu. Eu estava no quarto esperando por ele. Ele não conseguiu olhar para mim. Colocou apenas uma roupa no corpo molhado e disse que precisava sair. E assim foi embora.

O espero voltar desde então. Minha casa servia de refúgio para o nosso amor. Não morávamos juntos, vivíamos, era diferente. Vivíamos um amor de diferenças e semelhanças. Já que tínhamos gostos diferentes as nossas conversas serviam para um convencer o outro de que o outro estava errado nas suas preferências.

Quando ele foi embora não conversamos. Ele não tentou me convencer de que eu estava errada ou que ele estava certo. Apenas pegou uma pequena bolsa com umas coisas inúteis e foi embora.

Isso já tem um mês. Tentei ligar para ele mas o telefone chama sempre. Ir até a casa dele não foi uma idéia muito feliz. Não o encontrei.

Apenas me resta constatar: as diferenças nos separaram. Ou seria o contrário, éramos muito parecidos e por isso nos cansamos? A constatação é de que o amor acabou, independente das aparências e das diferenças existentes num casal. Triste é saber que realmente o amor acaba e quando o procurei para saber o que tinha acontecido queria apenas dizer que o meu amor também acabou.

2 comentários:

Anônimo disse...

nesse momnto vazio que vivo, morri de medo dessas poucas palavras... relações são relações na medida em que se co-respondem...

Anônimo disse...

O que mais me assusta na vida é que as mudanças não ocorrem no tempo da “longa duração”, como diria Braudel. Da proximidade ao afastamento, do carinho à ojeriza, tudo isto em questão de dias. Um relacionamento que demorou meses para ser construído, pode ser destruído num passe de mágica. Não sei se são as pessoas que se transformam ou se sou eu quem recusa a ver as coisas como elas se apresentam... Acabei de passar por uma... Credo!!!!! Ainda bem que o ano letivo está acabando!! KKKKKKKKKKKK