Cena típica de final de semana. Aquele momento sagrado dos homens: a famosa “cervejinha com os amigos”... Um deles reclama da falta de memória que o acomete há algum tempo.
- É a idade, brincam os outros.
E rola o papo sobre lembranças e esquecimentos. Quando José solta a pérola:
- Rapaziada, eu preciso confessar pra vocês: eu não lembro da minha primeira vez.
- Hein?!
- Como?
- Coff, coff, coff
- Sério, comigo aquela máxima de a primeira vez a gente nunca esquece não funciona...
- Ah, tá de sacanagem!!!
- É verdade, simplesmente não lembro, quando dei por mim, já tinha sido...
- Bom, pelo menos você lembra se foi com homem ou com uma mulher? (impossível uma mesa masculina que não tenha um infeliz para fazer este tipo de comentário)
- Claro que foi com mulher!
Um silêncio rondou a mesa. Era certo, como dois e dois. Era um paradigma imutável, verdadeiro dogma! A primeira vez a gente nunca esquece. E de repente, o José, logo o José, não se lembrava...
Por um momento, que só o nosso amigo esquecido percebeu, as expressões foram se transformando e cada um revisitou a sua primeira vez. Para uns, já uma imagem longínqua, quase um sonho. Para outros, um quadro detalhado e de cores fortes.
Vários recordaram quão prazeroso havia sido: o primeiro amor, a primeira vez dos dois. Muitos nem se davam conta de quanto tempo fazia não pensavam nisso. E riram ao lembrar do constrangimento e da falta de jeito na hora H. Uma certa melancolia rodeou alguns, que lembravam daquele momento incômodo em que finalmente puderam satisfazer a pressão dos amigos ou da família, com uma parceira cujo nome lhes fugia. Ou com, digamos, ajuda profissional. Dois ou três tiveram o desprazer de trazer à memória aquele episódio traumático que preferiam apagar. Estes invejaram o esquecido José.
José a tudo observava sem, no entanto, poder participar desta seção nostalgia. Afinal, ele não tinha o quê lembrar... Um amigo mais sensível percebeu e tentou ajudar o pobre José:
- Mas da segunda você lembra, não lembra?
- Bem, assim... lembro... mais ou menos... Mas acho que sim.
A ajuda não foi de grande valia...
José se sentiu sozinho. A solidão de quem esquece a sua primeira vez. Provavelmente ele era o único a não lembrar deste momento tão marcante na vida das pessoas.
Este relato visa buscar outras pessoas, que como José não conseguem lembrar da sua primeira vez. O objetivo é tirar José da sua solidão. Assim, se você compartilha deste sofrimento, ou se conhece alguém que esteja no mesmo barco que ele, poste aqui. José agradecerá.

Um comentário:
A história é incomum, certamente. Também nunca ouvi falar de quem houvesse esquecido sua primeira vez. Mas o que mais intrigou foi a seguinte frase:
"É verdade, simplesmente não lembro, quando dei por mim, já tinha sido..."
O autor pode explicar isso???
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