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sábado, setembro 27, 2008

Direito de Resposta

O motel foi feito para o amor, ou para encontros amorosos de quem precisa esconder que ama. Da mesma forma que ligar a televisão nesse ambiente é horrível, fazer pequenas coisas no dia-a-dia destroem muito mais a relação do que a pobre coitada da TV. Não lembrar o aniversário de namoro, que devemos concordar que homem nunca lembra; esquecer de dizer que gosta só para agradar de vez em quando; ficar dois dias inteiros sem falar com a pessoa amada e quando falar parecer que nada aconteceu nesses dois dias, e outras coisas mais... Esses pequenos deslizes, que não são exclusividade masculina, também destroem, e muito, uma relação. Ligar ou não a tv é conseqüência. Ou será que alguém aproveita as seis horas intensamente?
Deixemos de ser hipócritas e vamos pensar na diversão que uma ida a esses lugares nos proporciona. É terrivelmente estranho pensar que quando você sai outro casal entra. É um casal com uma outra história, com outra circunstância, com um motivo singular para estar ali e não no aconchego do lar. Se podemos rir de nós mesmos porque iremos ficar fixos na idéia de que só o amor importa? Por outro lado, a ida ao motel pode ser tão triste e tão intensa, e por isso ser triste, que esquecemos que podemos ser felizes ao estarmos apenas escondidos dos outros e não de nós mesmos.

Quem não se lembra da trágica história de um motel que desabou no centro do rio há quase 8 anos?
Era um casal de meia idade, casados e com filhos e que eram amantes. Se encontraram no horário de almoço num motel barato da rua do rosário esquina com a primeiro de março. Durante o amor deles o prédio desabou. Os bombeiros encontraram dois corpos nus. Dizem que quando o funcionário percebeu que o prédio iria cair tentou chamá-los, mas foi em vão.
Descobriu-se depois que o casal era amante. As famílias tiveram que se contentar com essa história terrível. Por que mantinham tal relação às escondidas? Será que tinham tempo para as frivolidades do motel ou o horário do almoço era apertado demais para perceber os detalhes à sua volta?
Nunca saberemos. A história de amor desabou junto com o prédio. Hoje nesse local só há um estacionamento. Há bem pouco tempo havia ainda algumas partes com azulejos que possivelmente seria de algum banheiro.
Lição da história: deixemos de lado as regras rígidas do amor. Observar o casal ao lado poderá nos revelar lições de amor muito mais interessantes que a que pensamos viver. Talvez observar que o carinha da caspa, apesar de feio e bizarro, seja capaz de proporcionar amor a uma mulher linda pode nos ensinar que as aparências realmente enganam.
Ou então, que o casal que leva frios para o motel para comer depois do amor pode estar querendo se divertir numa tarde normal e fugir um pouco da mesmice que acabamos levando para os relacionamentos depois de algum tempo.
Independente dos motivos que levam homens e mulheres ao motel, devemos pensar que o amor importa mas há detalhes maiores que envolvem esse amor, e não apenas o sexo em si. Ficar um mês sem sexo não é o pior de um relacionamento. Ficar um mês sem ouvir “eu te amo”, isso sim poderá desabar o prédio que há em nós...

Portanto, “façamos, vamos amar...”

3 comentários:

Anônimo disse...

Acho possível aproveitar as seis horas sim intensamente. Afinal, se o motel foi feito para o amor, esse pode ser demonstrado e praticado de infinitas formas.

Anônimo disse...

uauuuuuuu
que homem é esse que escreveu isso...
ora..penso que é um homem, se for mulher não tem graça...
nós mulheres sempre achamos que podemos aproveitar de infinitas formas..então, nessas infinitas penso que assistir uma tv, dar uma dormida agarradinho ou conversar sobre a filosofia da vida também possam ser formas de amar....
estou certa, anônimo?

Anônimo disse...

Eu sei quem é o anônimo!!! Eu sei quem é o anônimo!!!!!