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terça-feira, setembro 30, 2008

o automóvel

Caríssimos. Diante de tanta discussão em torno do objeto de desejo da maioria dos brasileiros, automóvel, resolvi contar minha experiência amorosa dentro desse glorioso ambiente (muito inspirada pelo comentário anônimo sobre o que fazer dentro do carrinho).
A primeira a gente nunca esquece. Opa, não digo que tenha sido a primeira dentro de um automóvel. Calma...estou dizendo da primeira embaçada de vidro. Uauau...nem é preciso fazer muita coisa para já ficar embaçado e repetirmos a cena clássica do titanic...
O carro estava estacionado numa praia linda, deserta numa noite estrelada...não foi nada muito além dos amassos característico daquele momento...ou melhor, suficientes para embaçar o pequeno espaço interno proporcionado pelo corsa Wind.
Eu não sou elástica, por isso que as vezes fico no banco de trás para ficar mais agarradinha com o meu bem. Estávamos eu e meu querido amado na Urca...pensando na vida, dentro do carro obviamente, sem fazer nada...só conversando (na minha concepção conversar com o ser amado está dentro das infinitas formas de amar) e começamos a observar as infinitas dos outros. E aí nos deparamos com duas cenas estranhas, deveras esquisitas. De um lado havia um palio completamente parado e escuro. Até aí tudo bem. Eis que eu vi um movimento estranho. Meu amado pensou que era besteira minha. Logo em seguida vimos o palio balançando. Bem...o leitor nessa hora deve estar se perguntando. “Qual era o problema do carro balançar?” nenhum. Desde que haja alguém dentro. Nesse caso, analisamos bem o fato e constatamos: o casal estava transando no chão do carro. O balanço vinha dali. Minha imaginação nesse momento foi a loucura. Qual seria a posição deles? E aquela elevação do meio que tem no carro...como fizeram? Ou eu sou idiota e muita gente consegue transar no chão do carro?
Enquanto estávamos empolgados imaginando, no carro do outro lado estava tendo uma briga feia. Um casal estava terminando, eu acho, e a discussão rolava solta. Tristeza total. Como um lugar tão lindo como a Urca, numa noite estrelada, casais em seus carros podem viver situações tão distintas. Enquanto um se espremia para amar...outro discutia para não amar.
Naquele dia eu não consegui embaçar o vidro do jeito que eu queria. Mas foi bom. Sem dores nas costas e no coração.
Confesso que o automóvel é importante pelas estripulias que podemos fazer dentro dele. Principalmente se pensarmos que o importante é amar. E quando esse pensamento vale, pode ser na rua, na chuva, na fazenda, ou num corsinha, chevetinhos e afins...
alguém discorda?

sábado, setembro 27, 2008

A primeira? não esquece...

Cena típica de final de semana. Aquele momento sagrado dos homens: a famosa “cervejinha com os amigos”... Um deles reclama da falta de memória que o acomete há algum tempo.
- É a idade, brincam os outros.
E rola o papo sobre lembranças e esquecimentos. Quando José solta a pérola:
- Rapaziada, eu preciso confessar pra vocês: eu não lembro da minha primeira vez.
- Hein?!
- Como?
- Coff, coff, coff
- Sério, comigo aquela máxima de a primeira vez a gente nunca esquece não funciona...
- Ah, tá de sacanagem!!!
- É verdade, simplesmente não lembro, quando dei por mim, já tinha sido...
- Bom, pelo menos você lembra se foi com homem ou com uma mulher? (impossível uma mesa masculina que não tenha um infeliz para fazer este tipo de comentário)
- Claro que foi com mulher!
Um silêncio rondou a mesa. Era certo, como dois e dois. Era um paradigma imutável, verdadeiro dogma! A primeira vez a gente nunca esquece. E de repente, o José, logo o José, não se lembrava...
Por um momento, que só o nosso amigo esquecido percebeu, as expressões foram se transformando e cada um revisitou a sua primeira vez. Para uns, já uma imagem longínqua, quase um sonho. Para outros, um quadro detalhado e de cores fortes.
Vários recordaram quão prazeroso havia sido: o primeiro amor, a primeira vez dos dois. Muitos nem se davam conta de quanto tempo fazia não pensavam nisso. E riram ao lembrar do constrangimento e da falta de jeito na hora H. Uma certa melancolia rodeou alguns, que lembravam daquele momento incômodo em que finalmente puderam satisfazer a pressão dos amigos ou da família, com uma parceira cujo nome lhes fugia. Ou com, digamos, ajuda profissional. Dois ou três tiveram o desprazer de trazer à memória aquele episódio traumático que preferiam apagar. Estes invejaram o esquecido José.
José a tudo observava sem, no entanto, poder participar desta seção nostalgia. Afinal, ele não tinha o quê lembrar... Um amigo mais sensível percebeu e tentou ajudar o pobre José:
- Mas da segunda você lembra, não lembra?
- Bem, assim... lembro... mais ou menos... Mas acho que sim.
A ajuda não foi de grande valia...
José se sentiu sozinho. A solidão de quem esquece a sua primeira vez. Provavelmente ele era o único a não lembrar deste momento tão marcante na vida das pessoas.
Este relato visa buscar outras pessoas, que como José não conseguem lembrar da sua primeira vez. O objetivo é tirar José da sua solidão. Assim, se você compartilha deste sofrimento, ou se conhece alguém que esteja no mesmo barco que ele, poste aqui. José agradecerá.

e agora josé?

apenas para ilustrar esse blog com coisas interessantes e de literatura superior,
coloco a linda poesia de Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?
para quem gosta de youtube, aqui vai a poesia na voz do autor

abaixo o dedo podre

A vida se resume em dois momentos fundamentais: ou você está encalhada, naquela "seca" sem fim, ou está na maré de sorte, quando há uma enxurrada de pretendentes. Pretendentes? Pretendentes, escrevemos isso mesmo? Bem, vamos por partes... Na maioria das vezes, de 10 pessoas potencialmente interessantes, uma vale a pena, porém é justamente essa que você não quer!! O nome deste estranho fenômeno? Fácil: "Dedo podre". No caso de Inês, ele (o fenômeno) ocorre com certa freqüência. Há, contudo, os momentos de crise, aqueles em que você resolve que será uma "nova mulher". Assim, encontrava-se Inês há poucas semanas, convencida de que era hora de cortar seu "dedo podre". Então, excluiu o seu "peguete" do Orkut (sim, estamos em outra época. Época de vínculos também virtuais), bloqueou o sujeitinho no MSN e disse pra si mesma, repetindo como se fosse um mantra: "Eu sou foda e mereço coisa melhor!" Mas, esse tipo de homem, não se convence de sua decisão. Ele liga, insiste. E ela aceita "contrariada" marcar um encontro, um último encontro. Para botarem tudo em pratos limpos, falar o que por falta de coragem, nunca foi dito. E poder dizer "orgulhosa" ao final "Eu tentei"!!E se preparou para o encontro. Quer mostrar a ele o que ele está perdendo... e lá se vão horas com o ritual de embelezamento poderosíssimo (na nossa ótica, claro!) ! Mas, importante mesmo é continuar entoando o mantra: "Eu sou foda e mereço coisa melhor!". Devemos entoá-lo a todo o momento, no banho, durante a chapinha, durante a maquiagem, e quando você está tentando entrar naquela calça que até 2 meses atrás não era tão sufocante...Você o espera no local combinado, se você tiver sorte, você não passará pela "ROLETA" e ele estará de carro.. Ufa! Durante o trajeto até o barzinho com clima "intimista": mais mantra! A mulher decidida há de se concentrar! E finalmente, estavam cara- a-cara. O papo segue tímido, há receio em se tocar em assuntos delicados. Mas, Inês como uma mulher sagaz, segura, certa do que quer, toma as rédeas, e dá o "xeque mate", o famoso "dá ou desce"... E diz com todas as letras: Eu quero namorar! Inês pensou sobre esta frase e suas implicações durante todo o dia, na verdade, já pensava há semanas.. ta bom, ok! Há meses! Mas queria encontrar o momento certo. Estava certa de que a resposta seria negativa, mas o mantra a fizera ver o quanto seria positivo em sua vida esta "rejeição", pois se livraria de alguém que definitivamente não iria levá-la a lugar algum.A resposta veio logo, seca, firme, sem dúvidas: "não posso" e de repente, "não mais que de repente", sentiu uma sensação estranha, havia alguma coisa acontecendo com ela.. nos primeiros segundos, não sabia distinguir o que era.. mas era , ao mesmo tempo, familiar... e se deu conta que estava chorando e de que todo o seu trabalho de preparação psicológica de nada lhe valia...A frustração fora maior. A auto-estima, ferida. O orgulho.. cadê?Após um diálogo nada promissor, entre soluços, lágrimas e a preocupação em não deixar que aipim frito esfriasse ali sozinho...foram embora. Era a hora do "adeus", aquele "adeus" bem dramático, sofrido. Pelo menos a idéia de sofrimento, ou de estar sofrendo por alguém, justificaria o mico. Afinal, chorar enquanto o cara passa o visa electron é MUITO mico!Longos abraços e palavras de carinho foram trocadas. Inês pensava em todas as hipóteses, deveria recuar? Deveria ela abrir mão daquele homem que veio "completo de fábrica"? Aquele que lhe tirava o chão. O único, o melhor... Mas, chegava já há tempos a conclusão de que precisava de mais. Precisa ter alguém também para comer pipoca assistindo filme em casa num domingo chuvoso. E isso lhe fora negado.. Não havia como ceder, seria vergonhoso demais.Durante sua reflexão filosófica, aproximaram-se, ela já estava deitada em seu peito. Os beijos ardentes foram inevitáveis. O que fazer? Inês enxugou as lágrimas, esqueceu o mantra, o orgulho (tinha esquecido também outros detalhes, mas ela, sagaz daria um jeito) e resolveu partir para sua última e tórrida noite de amor. Afinal, Inês não está na vida a passeio. O orgulho, às vezes , pode esperar.......Inês, na manhã seguinte, lhe disse Adeus. Na verdade, dizia mais para si própria do que para ele. Sua noite havia sido uma despedida. A última despedida? Inês acredita piamente que sim. E agora entoa um novo mantra: "Não vou desbloqueá-lo do MSN.." Já é um começo...

Mais do mesmo

Impressionante como as histórias se repetem. Inês saiu com umas amigas para conversar e jogar conversa fora. Naquela de papo vai papo vem, elas acabaram caindo nas historias entre homens e mulheres. E aí, podemos esperar exatamente a mesma coisa de ambas as partes. Porque mulheres solteiras sempre encontram homens estranhos solteiros. Óbvio. Os melhores já foram fisgados e amarrados que nenhuma macumba é possível dar jeito.
Umas podem dizer: “Ora...não sejamos pessimistas. Existem sim alguns homens maneiros.” E eu respondo: “Ohh, claro que existem...”mas sempre serão ou pobres, ou brochas, ou sem graça, ou uma dessas coisas, ou as três juntas.
As amigas de Inês discordaram da máxima acima. Diziam que ela era muito exigente e que não se contentava com pouco. Realmente, se contentar com pouco era o cúmulo de todo absurdo. Como poderia ser? Uma mulher linda, inteligente, mais ou menos bem sucedida e por causa disso teria que se contentar com qualquer um? Impossível.
Após essa discussão boba e inútil com amigas também inúteis, eis que Inês dá o exemplo máximo:
- Queridas, posso dar um exemplo claro sobre se contentar com pouco. Eu estava saindo com um carinha lindo, maravilhoso, todo gostoso...mas ele não tinha muita grana. Então, na hora de pagar a conta, na primeira vez fui ao banheiro. Na segunda vez nem mexi na bolsa, mas na terceira vez achei melhor fazer um charme e me oferecer para pagar alguma coisa. Fiz isso para dar oportunidade a ele de me fazer um elogio e obviamente não deixar eu pagar nada. A conta não tinha dado nem 60 reais. Era só bebida e petisco. Coisa pouca. Então, fiz a pergunta clássica: “Quanto eu posso dar?” eu queria ouvir a seguinte resposta: “que nada, coisa pouca, deixa comigo.” Mas aí, eis que o bofe me responde: “pode dar 30”.

- não acredito....

- cruzes Inês, você também gosta de ser sustentada..o pobre do homem trabalha igual a você...não tem dinheiro sobrando não.

- querida, eu sei que ele não é milionário. Mas eu já sou a riqueza dele. Logo, ele precisa me cultivar e não ir gastando assim por aí, ainda mais no terceiro encontro...

- mas e aí, o que você fez?

- Eu? Na classe que deus me deu, eu abri minha carteira novinha que tinha acabado de comprar e saquei uma linda onça (nota de 50) e disse: “me dá 20 de troco”.

E vocês...o que fariam com esse homem? Daria uma segunda oportunidade para ele fazer um elogio, ou seja pagar a conta, ou já iriam para o próximo. De preferência o que tivesse o carro mais novo?

Já estou imaginando os comentários do tipo: vocês mulheres são f...quando o cara é maneiro reclamam...além de tudo ele tem que ter grana e ter carro bonito?

Direito de Resposta

O motel foi feito para o amor, ou para encontros amorosos de quem precisa esconder que ama. Da mesma forma que ligar a televisão nesse ambiente é horrível, fazer pequenas coisas no dia-a-dia destroem muito mais a relação do que a pobre coitada da TV. Não lembrar o aniversário de namoro, que devemos concordar que homem nunca lembra; esquecer de dizer que gosta só para agradar de vez em quando; ficar dois dias inteiros sem falar com a pessoa amada e quando falar parecer que nada aconteceu nesses dois dias, e outras coisas mais... Esses pequenos deslizes, que não são exclusividade masculina, também destroem, e muito, uma relação. Ligar ou não a tv é conseqüência. Ou será que alguém aproveita as seis horas intensamente?
Deixemos de ser hipócritas e vamos pensar na diversão que uma ida a esses lugares nos proporciona. É terrivelmente estranho pensar que quando você sai outro casal entra. É um casal com uma outra história, com outra circunstância, com um motivo singular para estar ali e não no aconchego do lar. Se podemos rir de nós mesmos porque iremos ficar fixos na idéia de que só o amor importa? Por outro lado, a ida ao motel pode ser tão triste e tão intensa, e por isso ser triste, que esquecemos que podemos ser felizes ao estarmos apenas escondidos dos outros e não de nós mesmos.

Quem não se lembra da trágica história de um motel que desabou no centro do rio há quase 8 anos?
Era um casal de meia idade, casados e com filhos e que eram amantes. Se encontraram no horário de almoço num motel barato da rua do rosário esquina com a primeiro de março. Durante o amor deles o prédio desabou. Os bombeiros encontraram dois corpos nus. Dizem que quando o funcionário percebeu que o prédio iria cair tentou chamá-los, mas foi em vão.
Descobriu-se depois que o casal era amante. As famílias tiveram que se contentar com essa história terrível. Por que mantinham tal relação às escondidas? Será que tinham tempo para as frivolidades do motel ou o horário do almoço era apertado demais para perceber os detalhes à sua volta?
Nunca saberemos. A história de amor desabou junto com o prédio. Hoje nesse local só há um estacionamento. Há bem pouco tempo havia ainda algumas partes com azulejos que possivelmente seria de algum banheiro.
Lição da história: deixemos de lado as regras rígidas do amor. Observar o casal ao lado poderá nos revelar lições de amor muito mais interessantes que a que pensamos viver. Talvez observar que o carinha da caspa, apesar de feio e bizarro, seja capaz de proporcionar amor a uma mulher linda pode nos ensinar que as aparências realmente enganam.
Ou então, que o casal que leva frios para o motel para comer depois do amor pode estar querendo se divertir numa tarde normal e fugir um pouco da mesmice que acabamos levando para os relacionamentos depois de algum tempo.
Independente dos motivos que levam homens e mulheres ao motel, devemos pensar que o amor importa mas há detalhes maiores que envolvem esse amor, e não apenas o sexo em si. Ficar um mês sem sexo não é o pior de um relacionamento. Ficar um mês sem ouvir “eu te amo”, isso sim poderá desabar o prédio que há em nós...

Portanto, “façamos, vamos amar...”

música sobre a queda do motel

amigos
quem leu o post acima deve ter ficado curioso sobre a história do casal.
nao sei maiores detalhes, mas marcelo camelo musicou a história...a música é linda
aproveitem para pensar no significado do amor

Conversa de botas batidas

- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- a gente só queria o amor...
- Deus parece às vezes se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar
- Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora está de bem
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além.
Vão dizerque a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
vai cair

quinta-feira, setembro 18, 2008

a respeito do texto abaixo

Caros leitores

apenas um pequeno aviso
o texto que segue chamado Odisséia foi feito a quatro mãos....quase 3 pq a minha está doendo. a história é em parte verídica mas se assemelha a de muitas outras mulheres em busca do ser amado ou desejado.
aproveitem mas pensem que não como um dia após o outro com alguns trajetos de ônibus no meio...

A Odisséia

Segue abaixo a versão século XXI de Odisséia. Apenas um lembrete: qualquer semelhança com a realidade de alguém é apenas prova de que a vida amorosa não está fácil.

A ESPERA
O convite já estava garantido.
Faltava agora chegar o dia.
Por que O dia é sempre tão longe?
Entre terça e domingo havia uma eternidade.
No sábado, concluiu que nenhuma roupa lhe caía bem.
A conta bancária? No vermelho, como de costume.
Mas uma blusinha nova se fazia necessário.
“É um investimento. É um investimento”, pensava tentando justificar o gasto de um dinheiro que não possuía.
Não foi a nenhum shopping, comprou ali mesmo, pelo seu bairro, numa daquelas lojas populares.
Ok, daremos o crédito. Foi na Cyticol.
Depois de muito garimpar, encontrou.
Uma blusinha simples, lisa, sem estampas, exatamente como ela prefere.
Perfeita para a ocasião.
O preço?
Um convite ao consumo
R$ 7,99.
Um belo investimento.
Tinha outra, igualmente atraente, mas R$ 15.
Uma fortuna naquele contexto!!!
Levou mesmo a mais barata.
Chegou em casa, experimentou mais uma vez.
Virou de um lado, virou de outro.
E chegou a conclusão que, contra as gordurinhas, o preto funciona mais que aqueles chás horrorosos!!!
Bastava agora esperar o sábado passar. De preferência, bem rápido.

A PREPARAÇÃO
Enfim, o domingo. Ah, glorioso domingo...
Banho,
creme,
roupa,
espelho,
cabelo,
espelho,
maquiagem,
espelho.
Achou que estava apresentável. E que poderia dar certo.
Sabia que a beleza não era seu forte.
Mas é sempre preciso caprichar no visual.
Podia mesmo era contar com a sua simpatia,
seu senso de humor
e sua bagagem literária (que em um samba, não tinha certeza se contava muito ponto).

A CHEGADA
Fez hora para não chegar muito cedo e parecer uma desesperada.
Pegou o ônibus e desceu no local indicado.
Entrou.
Já havia bastante gente.
Algumas pessoas conhecidas.
Sorri.
Cumprimenta.
Abraça.
Beijinhos, um de cada lado.
Avança mais um pouco,
Pensa: “Cadê aquele infeliz? Será que ele não vem?”.
Avistou pessoas que gostava.
Resolveu ir sentar a mesa delas.
Vai de encontro às meninas.

O ENCONTRO
E na mesa ao lado, lá estava ele.
Exatamente como ela lembrava.
Exatamente como ela esperava. Sorri para ele, que retribui o gesto.
Ocorreu um breve e chato diálogo:
- Oi, tudo bem?
- Tudo bom. E você?
- Tudo bem.
- Quanto tempo.
- Pois, é. (qualquer semelhança com a música do Paulinho da viola não é mera coincidência, foi quase isso)
Aquele diálogo demonstrava a formalidade que havia entre eles.
Ela esperava ter algo mais a partir daquele dia.
Para isso pensou: “Rápido, alguma coisa interessante para falar. Rápido”.
Nada surgiu de interessante.
E aí concluiu que seria melhor ficar quieta.
Sentou.
Não na mesa dele. Ao lado. Para ficar perto da presa.
Assim ocorreria a aproximação e seu plano da conquista.
Ela o observava:

A PRESA
Ele levantou, fazia a social como ninguém.
Foi capaz de conversar com todas as pessoas da festa.
Pulava de um grupo para o outro.

A CAÇADORA
Ela? Estática na sua cadeira.
E bebendo, e bebendo.
Precisava daquelas cervejas.
Precisava relaxar e tirar da cabeça a percepção de que estava,
mais uma vez,
sendo solenemente esnobada pelo garoto.
Encheu o saco,
levantou,
bebeu mais,
foi ao banheiro,
mais uma cerveja,
encontrou com uns amigos,
mais alguns goles.
A cerveja estava tão geladinha...
Resolveu voltar.

A OUTRA CAÇADORA
No entanto, nossa heroína se enganou
Se ela saia à caça no domingo de jogo do Flamengo (com letra maiúscula!!)
Outra mais desesperada também saiu.
Para piorar, estava valorizando os dotes que a nossa heroína não tinha.
Quem queria saber do intelecto àquela altura?
O caríssimo não precisava disso naquele momento...

A SURPRESA
Após observar a outra mulher, nossa heroína achou que finalmente o bem venceria o mal.
Ele estava sentado na mesa dela.
Nesse momento, o mago Paulo Coelho é reivindicado: “É um sinal. Quando você quer muito uma coisa, o mundo conspira a seu favor”.

A SURPRESA MAIOR AINDA
Opa, também havia um ser estranho lá.
Ou seria efeito da bebida?
Não, realmente havia uma mulher desconhecida.
Linda, ao lado dele, conversando com ele.
Bebeu os últimos goles daquela que seria a última latinha do dia.
Mão na coxa.
Olhos nos olhos.
Intimidade.
Tudo que ela nunca tivera com ele.
Era demais para ela.
Resolveu não ficar olhando aquela cena lamentável.
Mais algumas voltas,
mais alguns papos furados,
sem sentido,
sem interesse.

O MANO A MANO
Após beber, ver e refletir.
E pensar novamente, viu que estava ao lado dele... e dela também.
Observou:
Um abraço,
um beijo.
E a formação de um bonito casal.

A DECEPÇÃO
Após as cenas mais horrendas de sua vida,
Percebeu que era hora de ir embora.
Se despediu,
sorrindo,
como sempre.
Saiu o mais rápido que pode.


O CHORO
No ônibus, desabou.
Ligou, a cobrar, (conta no vermelho) para as amigas.
Chorou.
Ficou com raiva.
Olhou para a blusinha.
Ficou com mais raiva ainda.
Pensou que poderia ser pior:
e se tivesse comprado a mais cara?
Estaria ainda mais indignada.

O FIM
O domingo deprimente acabou
O Flamengo perdeu,
A chuva começou,
O sonho acabou,
E o gato subiu no telhado.
O que fazer? Pensou....
Naquele momento não havia o que fazer,
Para quem ligar, onde beber
Voltou para a casa

EPÍLOGO
Essa história não acabou.
A odisséia do amor recomeça a partir do momento que um acaba, principalmente se foi platônico.
A nossa heroína, apesar de lutar contra, sabe que só o amor salva.
Salva o sábado, o domingo, o feriado e todos os dias da semana
Salva o porre da festa, salva o time perdido
Salva a falta de grana e a dor no braço
Como ela tem isso tudo, precisa arrumar outro amor urgente.
Para o próximo final de semana chegar faltam apenas 7 dias....

domingo, setembro 07, 2008

Todos os caminhos nos levam ao amor....

Mais uma historinha engraçada de motel.
Era uma vez um menino estranho, deveras esquisito. Todos o achavam engraçado por conta do casaco que ele sempre utilizava, com chuva ou sol, e que era recheado de caspas por conta do pouco hábito de lavar o cabelo de metaleiro que o próprio utilizava. Nos o conhecíamos de vista não só pelo visual mas pelas coisas bizarras antropológicas contadas por ele. Até aí tudo bem.
Como todos os caminhos nos levam ao amor, lá fomos nós. No entanto, não tínhamos dinheiro para pagar o absurdo da garagem do motel, que vamos combinar, é o estacionamento mais caro da cidade. O que fizemos? Deixamos o belo carro estacionado debaixo de uma árvore. Eu juro, tem motel com pátio e uma árvore no meio...
Ficamos esperando na recepção do motel o elevador chegar e de repente, não mais que de repente, o que vemos? O tal metaleiro cheio de caspa chegando para pegar o mesmo elevador que eu e meu amado pegaríamos. Bem, tivemos que entrar. Então, ficamos os quatro. Detalhe importante da história: a mulher era linda e ele é horrível, logo, qual é o segredo do cara?
O cumprimentei pq o conhecia de vista e é sempre assim, quando estamos longe do local comum sempre falamos com as pessoas que conhecemos de vista. Sendo que nunca o segundo andar demorou tanto a chegar. E ficamos os quatro parados, esperando o nosso andar e eu imaginando o que ele tinha de bom. Na verdade acho que o meu amado ficou pensando a mesma coisa.
O momento foi tão engraçado que aproveitamos para encurtar a nossa história e aproveitar a tv a cabo do motel. Era domingo, e passava jogo, como sempre. O meu time estava jogando e meu amado, como é lindo, quis ver enquanto nos arrumávamos. Até que meu time fez um belíssimo gol e eu não me contive e precisei gritar....goooollllll....e não é que outros casais fizeram a mesma coisa? Incrível, além de aproveitar o que o motel nos oferece também podemos curtir um super futebol...um máximo...para compensar o preço do estacionamento. Mas na verdade, fiquei pensando no bizarro casal e se eles estariam gritando gol ou outras coisas antropológicas....enfim...fiquei só no tesão, ou tensão futebolística amorosa...
No final das contas. Todos gozamos, no bom sentido, um da cara do outro. Ainda bem que não nos cruzamos na saída, seria horrível ver novamente o casal bizarro.
Não percebemos também se eles entraram a pé ou de Chevette. Sei que mesmo de carro tive que passar por essa situação nada agradável. Como eu conheço o mundo, finalmente alguém descobriu que eu conheço o caminho do amor...
O meu time ganhou, eu saí feliz e tudo acabou bem....na verdade, chega de motel...eu quero mesmo é o clássico caseiro....

sábado, setembro 06, 2008

o aroma do amor

Bem, duas das pouquíssimas leitoras comentaram o post sobre as pílulas e o aroma...
Eu preciso continuar esse assunto.
Agora com outra questão: qual a desculpa que poderíamos encontrar para explicar a ausência do amor?
As pesquisas americanas e inglesas a cada dia aparecem com alguma explicação. Uma das nossas amigas confirmou que a pílula realmente interfere na escolha do parceiro, assim como os perfumes e outros artifícios que utilizamos para conquistar o ser amado. Mas meus deus, como posso fazer com que tudo ocorra do jeito que eu quero? Ou melhor. Eu quero apenas ele, só...e preciso continuar com a minha pílula...caso contrário terei muita história para contar. E penso que perfumando meu corpo eu posso amarrá-lo ainda mais...mas na verdade não é isso que cientificamente vai ocorrer?
Eu estou quase desistindo....desistindo de entender os homens e os relacionamentos que eles trazem, a alegria do amor e que de uma hora para outra acaba....
Eu prefiro então me enganar...ficar com os errados mas que gostam do meu perfume, continuar com a santa pílula para que eu possa ter poderes de escolha na hora de procriar, mas quero ter também a sorte do amor..igual aquela que vemos dos casais apaixonados no cinema, numa lanchonete ou num fim de tarde na lagoa. A sorte de encontrar por acaso o ser amado não pode ser resumida no perfume utilizado ou não...
Viva o amor e as sortes de encontrá-lo

a azia do fim

Primeiramente preciso explicar o título. Azia é quando você come algo que não cai muito bem. Assim acontece com os relacionamentos. Calma, eu explico. A melhor maneira para percebermos que algo acabou é quando a fome acaba. A sede acaba. Tudo acaba. E assim, quando comemos demais ficamos cheios, passando mal, sem vontade de olhar aquela comida novamente...
Infelizmente nos relacionamentos demoramos a descobrir isso tudo. Quando a tortura do fim já nos consumiu, ou pior, quando a tortura do durante nos consumiu por inteira. Passamos noites pensando que nunca iríamos conseguir viver sem aquele homem, sem seus beijos, seus papos e tudo o que o pacote oferecia. Ora pois. O relacionamento acabou, você sofreu, chorou e fim...acabou mesmo. Mas num belo dia, num dia de tédio, o telefone toca. É ele. Ele está ligando, marcando um chopp...você não tem nada para fazer...e o que faz? Aceita. Óbvio que esse chopp não ia acabar só na conta que o garçom iria trazer...iria muito além...talvez no café da manhã amargo do motel.
Mas quando você sai de lá você sente uma azia,..que não foi provocada pelo café dormido...mas sim por outra coisa. Aí bate uma tristeza: a azia é pelo bis, pelo repeteco, por tudo o que ali aconteceu e o que você acabou de perceber: você não o ama mais. É por isso que você se sente mal. Como pôde durante tanto tempo gostar de alguém que hoje te faz mal?
Pois é....e agora José...não só a festa acabou mas o amor também...como você queria que ele soubesse....que você teve azia ao ficar com ele de novo...e como você não quer mais vê-lo...nem se ele morasse ao lado da casa....
Enfim, felizmente, ou não, tudo acaba. Os relacionamentos têm fim. O mal estar que isso provoca é passageiro. Nós só não podemos ficar tentando novamente provocar nosso estômago...poderá ser fatal...No entanto, deveríamos lembrar sempre que isso tudo acontece quando vir o novo sofrimento...o da vez...