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sábado, dezembro 29, 2007

encontro as escuras num dia chuvoso, mas claro

Encontro às escuras

Eu preciso registrar isso por aqui...tenho medo que minhas lembranças a respeito desse momento se perca.
Mas na verdade eu vou acabar criando um poço sem fundo, pq esse blog vai acabar ficando impublicável...minhas intimidades se revelam pelos meus dedos e eu não tenho como escapar...

Vamos lá então, omitindo nomes, datas, lugares e situações...mas preciso deixar para a posteridade a emoção daquele dia.

O rio de janeiro vivia um manhã fria, chegando mesmo a ter aquela chuva chata, indecisão de são pedro que quer regar as plantas mas sem estragar muito a vida das pessoas. Bem, como bons cristãos que somos aceitamos a operação divina e deixamos a chuva cair, carregaremos então nossos casacos pra lá e pra cá...

A pontualidade sempre foi meu forte. E no horário combinado eu cheguei. Agora que coisa estranha. Achar alguém no meio da multidão. Às vezes tenho vontade de sair gritando por alguém em plena rio branco, mais precisamente durante o atravessar das pessoas naqueles sinais. Mas nunca fiz isso. Outra coisa que tenho vontade de fazer é conversar com alguém no meio da rua, ou melhor, parar um desconhecido e dizer: “vamos bater um papo?”, tenho certeza que no meio dessa multidão um ser inteligente, interessante e, pq não, solteiro, se esconde, faltando apenas a chance da cutucada inicial.

Pois bem, mas quem poderia ser ele? Estava eu ali parada, tudo bem que por poucos segundos. Olhei a minha volta e várias possibilidades. Eu não sabia quem era, e também não sabia quem não poderia ser. Qualquer um daqueles encostados na pilastra poderia ser ele. Então resolvi esperar. Todos esses meus pensamentos numa fração de segundos foram respondidos com um “olá”. Não consigo lembrar de onde ele surgiu, se da esquerda, da direita, da frente, ou simplesmente caiu do céu e atravessou todos os andares daquele prédio. Se caiu ele não estava ferido, pelo contrário, seu sorriso e seu olhar pareciam felizes, talvez também aliviados já que ele também não sabia quem eu era. Achei tudo um golpe, um grande golpe do destino, da vida, do acaso e dos encontros marcados. A perfeição aparecera e esteve sempre do meu lado, pertinho, me esperando apenas para dar o bote. Não pude resistir e como num passe de mágica o inverno do rio de janeiro foi embora com a quentura do meu corpo, ou será que foi de outras partes? Não sei, só sei que o quente fez minhas bochechas rosas e eu não pude disfarçar. Ainda não conheço o mecanismo para o controle disso, desse horror que é nossa alma refletida nas bochechas. Acredito que isso tenho o divertido pq ele não parava de sorrir para mim. O calor também se abateu sobre ele o que o fez tirar o grosso casaco. Eu ainda resisti com o meu. Acho que essa ação de tirar o casaco poderia piorar a minha situação constrangedora.

Mas o constrangimento não se abatia apenas sobre mim. Era também visível o espanto dele. A espontaneidade tomou conta de nós dois e parecíamos ser amigos de infância, ou alguém a ser conquistado. Por alguns instantes nos esquecemos do real motivo do encontro e outros papos apareceram como num passe de mágica. E esse mesmo passe fez com que a hora não passasse, o tempo não voasse e o telefone não tocasse. Ou melhor, até tocou, mas o que é um telefonema quando estamos tão a vontade com alguém?
Fizemos planos para a nossa tarde, mas infelizmente a realidade apareceu e não pudemos cumprir. O encontro acabou com apenas alguns goles de uma bebida natural e eu parti após longos dois abraços e alguns beijos fraternos, falsos, a vontade era de dar outro tipo de beijo.

Minha vermelhidão foi constatada logo depois. Estava rosa, quase explodindo, por dentro, por fora, na cabeça, nos pés e no coração. Não sei o que aconteceu. O restante disso é apenas textos, palavras escritas num objeto insensível e impessoal. A vontade de encontra-lo é tamanha mas o medo é maior. Medo de não saber o que fazer, medo de não saber quem é realmente aquela nova criatura nos meus pensamentos, sonhos e desejos.

A cada dia o admiro mais, a cada dia vejo que ele fala por mim em algumas ocasiões, mas o medo que tenho dele achar uma bobagem toda essa gama de sentimentos imprecisos e irreais é maior que tudo. Então me recolho da minha insignificância em sua vida e fico a imaginar seus passos, suas ações e os próximos encontros. Mas nunca esquecerei o primeiro sorriso e o seu espanto, mesmo que eu ainda tenha outros do tipo a serem vistos e presenciados....

Um comentário:

Anônimo disse...

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