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segunda-feira, maio 28, 2007

A virtualidade e a caverna de platão

A virtualidade toma conta das relações humanas. tenho dúvidas se a palavra virtualidade existe. caso não existe acabo de inventar. da memsa forma que foram inventadas inúmeras palavras nos últimos tempos, graças a virtualidade.
sem querer prender a atenção a questão da ortografia da língua portuguesa e ao seu enriquecimento de palavras na última década, passarei batida por essa questão para tratar apenas das relações humanas.
não existe hoje nenhuma relação que não tenho o seu percentual no mundo virtual. se antes a ação de telefonar pra alguma pessoa era o máximo da impessoalidade, hoje telefonar é quase um ato de amor.
as conversas "on-line" e "off-line" são recorrentes e nenhuma boa amizade hoje se faz sem elas. da mesma forma que o anúncio de "eu te amo", " fulana é demais" e "sou sua fã" tb não podem deixar de existir no meio público on line se vc for amigo mesmo....
tenho duas experiências de amizades estranhas e que servem de alerta para essa questão da virtualidade. uma que nunca conversei on line e outra que conversei demais.
na primeira, a ausência de conversa nunca foi o problema até pq o telefone era a forma de comunicação mais impessoal e também muito utilizada. no entanto, sua vantagem está em vc reconhecer o tipo de voz da pessoa do outro lado da linha e assim conseguir conversar de forma sincera e espontânea apesar de não olhar os olhos do interlocutor (antes desse mundo virtual olhar nos olhos era fundamental numa boa conversa)
bem, mesmo não tendo todo esse ritual de conversas via msn, orkut e afins, percebo que essa amizade pouco importou durantes esses tempos...e que tempos....apesar de achar também que a falta de um momento frio nessas conversas pouco importou pra o resultado final, que hoje parece ser mais frio que a geladeira de um esquimó....se é que continua tão fria assim depois do aquecimento global....(acredito que a expressão de frio e quente vai se redefinir a medida que os anos forem passando e o aquecimento global aquecendo mais...então, quando esse dia chegar usaremos a expressão quente, para o antigo frio, e super quente, para o quente de hj....)
a outra experiência de amizade está no excesso de tecladas via msn, orkut, email, cartas e afins...isso sim foi ruim. não pelo lado do pouco contato, imagina, mas sim pelo excesso de contato quando este não deveria ser feito.
os msns da vida invadiram a nossa privacidade e a nossa casa de dia, de noite e principalmente de madrugada. eles pegaram os solitários, os infelizes e utilizaram os prejudicados socialmente que só poderiam acessar a internet à noite para cobaia de uma experiência sobre as relações humanas cuja questão principal foi: até que ponto se sustenta uma amizade baseada no virtual?
mas eu pergunto também: até que ponto uma amizade pode sofrer interferências dos contatos apenas virtuais?
eu não sei o que dizer. essas duas situações hoje parecem ser tão reais e tão estranhas que eu não sei pra onde correr. se coloco todos debaixo de um belo galpão e tranco-os até admitirem que amizade não se mata, não se acaba, não se termina, fazendo tudo isso olhando dentro do olho do outro (se essa ocasião existisse acredito que seria mais ou menos como sair da caverna de platão, os olhos estariam tão acostumados com a escuridão que iriam estranhar a luz e assim iriam preferir viver das relações fracas, impessoais e escuras)
ou então se faço como todos fazem...esqueço daqueles que não me adicionam no msn, que bloqueram meu nick, que me cortaram do orkut e que não me mandam mais torpedos e continuo eu a viver na escuridão da caverna de platão dos tempos modernos.
o que diria um platão contemporâneo nessa crise das relações modernas?
"que estranha cena descreves e que estranhos prisioneiros. são iguais a nós"
essa frase de platão em República, se encaixa perfeitamente nessas mesmas relações.
onde estará a resposta dessa pergunta platônica: "que estranhos prisioneiros, são iguais a nós?"

quarta-feira, maio 09, 2007

e agora na pele, o que será?

O QUE SERÁ? A FLOR DA PELE

PRA SER LIDO DE FORMA RÁPIDA E SEM VÍRGULA, PONTO, DESCANSO, PENSAMENTOS E EXPLICAÇÕES: BOA LEITURA

O que será que me dáQue me bole por dentro, será que me dáQue brota à flor da pele, será que me dáE que me sobe às faces e me faz corarE que me salta aos olhos a me atraiçoarE que me aperta o peito e me faz confessarO que não tem mais jeito de dissimularE que nem é direito ninguém recusarE que me faz mendigo, me faz suplicarO que não tem medida, nem nunca teráO que não tem remédio, nem nunca teráO que não tem receitaO que será que seráQue dá dentro da gente e que não deviaQue desacata a gente, que é reveliaQue é feito uma aguardente que não saciaQue é feito estar doente de uma foliaQue nem dez mandamentos vão conciliarNem todos os ungüentos vão aliviarNem todos os quebrantos, toda alquimiaQue nem todos os santos, será que seráO que não tem descanso, nem nunca teráO que não tem cansaço, nem nunca teráO que não tem limiteO que será que me dáQue me queima por dentro, será que me dáQue me perturba o sono, será que me dáQue todos os tremores me vêm agitarQue todos os ardores me vêm atiçarQue todos os suores me vêm encharcarQue todos os meus nervos estão a rogarQue todos os meus órgãos estão a clamarE uma aflição medonha me faz implorarO que não tem vergonha, nem nunca teráO que não tem governo, nem nunca teráO que não tem juízo

que agonia não saber o que me dá....

o que será?

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certezaEstá na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

o que será? que acontece em mim e em vc?
a seguir

o que acontece com o mundo?

o que acontece com o mundo?
que elege um deputado que não tem proposta
um que não sabe o que é decoro
uma que se ofende com ofensas masculinas
um que não sabe o que fazer a não ser mamar nas tetas
um que roubou mas fez
uma que é bonitinha mas até agora não fez nada de concreto
e pra piorar elege um senador que foi impechemado...
(se é que essa palavra ainda existe e signifique alguma coisa)
o mundo está perdido e eu estou me perdendo nesse horror...
defendo a tese que o único momento de serenidade e sinceridade do Brasil é nos quatro dias de folia...que no próximo ano acontecem no início de fevereiro...oba....

o que acontece com vc?

o que acontece com vc?
que me ignora,
que me faz chorar,
que me faz rir,
que me fez perder todo o tesão nas músicas
que não me deu valor na sua vida....
que não me quis quando eu te quis
que me fez pegar os caminhos que eu nao queria
ouvir as músicas
que eu não me identificava ,
e que vc me incentivou a gostar
e que me ignora quando mais preciso de vc.
eu também não sei o que acontece comigo
quando eu não te abracei
quando eu não te disse que te amava
quando eu nao fui até sua casa pedir pra voltar
quando eu não te liguei depois de um dia lindo
quando eu nao atendi suas ligações
quando não fui pra onde vc queria
vc como eu somos iguais...
mas queria saber como é ser vc sem mim

o que acontece por aí?

o que acontece nessa noite fria?
é o papa chegando
o flamengo perdendo e sendo aplaudido
o papa sendo aplaudido...quantas palmas falsas, sem graça
o que pensam essas pessoas que saem de casa no frio para aplaudir o flamengo e o papa?
a alegria humana é realmente surpeendente.
que fé é essa que move, que aplaude que perdoa, que se engana?
tenho me enganado por muito tempo...tanto temp que acho que já não sei o que é não estar enganada...
espero uma resposta que não vem, uma ligação que não chega pq ninguem faz...ou melhor, pq não tem quem a faça....
e assim passo os dias enganando a vida, os céus, a lua e aplaudindo que não merece...e oferecendo o calor das minhas palmas nesse frio que chega de repente e que não sabemos quando vai embora.
a sabedoria humana ainda não sabe quando iremos nos livrar da praga do amor...desse amor que faz nos engarnar por qualquer coisa, por um time, por um gol, por um homem, pelos deuses...
e viva o carnaval...único momento de lucidez desse país